Distante em pensamentos, vivo hoje em outro mundo, aquele que criei só pra mim, um universo de sentimentos contidos em apenas 4 paredes, esse ninho de saudade criado por pássaros perdidos de cores indefinidas, nesse pequeno quarto cheio de lembranças e de livros velhos, de poesias inacabadas, nem sei mais se o que mais vivo aqui é feito de marcas de uma lágrima ou apenas poeira, que cobre os movéis antigos, de madeira velha e mal cheirosa, arranhada pelas marcas do tempo. Existem retratos por toda parte e flashs na memória, lembrança clara do belo rosto de cada um, visto nas fotografias em preto e branco, que guardam um amontoado de mágoas, algumas marcas de nostalgia estão escritas nas paredes, eu mesmo as escrevi com o resto de sentimento que encontrei perdido na gaveta do criado mudo ao lado da cama. Tantas pessoas passaram por este quarto, tantas histórias estão gravadas no passado, tantos cigarros já foram acesos, tantos cafés já esfriaram e tudo que permaneceu em meio a tanto tempo foram eu e minha solidão. Preciso de uma limpeza, de um banho de mar, em um mar de amnésia, em uma água capaz de levar toda dor embora, mas que não traga de volta ao fim do dia, com a maré, tudo aquilo que lutei pra deixar ir, que não esteja de volta ao nascer do sol, que apenas vá embora e nunca mais volte, que se perca em meio areias do deserto ou que se afogue em meio a esse oceano desconhecido, que me deixe em paz nessa saudade que machuca, e que me deixe viver nessa vontade de ser alguém melhor, na vontade de ter alguém pra amar novamente, e de sentir o quanto forte pode ser um abraço. A madrugada já toma conta do dia e agora só me resta escrever, nessas pequenas folhas de pergaminho tudo o que o coração tenta dizer, todas as dúvidas que eu tento esclarecer, mas que param na garganta, que me restringem a apenas sofrer em silêncio, com o mesmo sorriso de sempre no rosto, e com as mesmas marcas do passado gravadas no peito. (sonetosdeamor)